Além dos jogos: 5 formas de usar a Copa para engajar os funcionários de verdade

Especialistas apontam cinco ações práticas para transformar a energia do Mundial em pertencimento, engajamento e comunidades que permanecem após o fim do campeonato

Foto Divulgação

São Paulo, junho de 2026 — A cada Copa do Mundo, milhares de companhias repetem o mesmo roteiro: bolões, camisetas da Seleção, decoração temática e telões para acompanhar os jogos. As iniciativas ajudam a criar um clima de descontração e um senso momentâneo de união, mas levantam uma pergunta importante: o que sobra quando a Copa termina?

Para a Philos, consultoria especializada em cultura organizacional, gestão e marketing de comunidades, a maioria das organizações está desperdiçando uma oportunidade estratégica. Isso porque o Mundial cria algo raro dentro das empresas: adesão espontânea. Pessoas que normalmente não interagem passam a conversar, equipes se unem por um objetivo comum e líderes e colaboradores compartilham emoções. No entanto, boa parte dessa energia desaparece junto com o campeonato.

O contexto ajuda a entender por que isso importa. Segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, apenas 20% dos colaboradores estão engajados no mundo, um problema associado a cerca de US$10 trilhões em perdas econômicas globais. No Brasil, o estudo Engaja S/A, da Flash em parceria com a FGV EAESP, calcula que o desengajamento custe R$ 77 bilhões por ano às empresas. Transformar momentos de conexão em relações duradouras pode gerar impactos diretos na retenção de talentos, no clima organizacional e na produtividade.

“A Copa mostra algo muito interessante sobre o comportamento humano: as pessoas querem pertencer, querem fazer parte de algo maior. O futebol é apenas o gatilho. O verdadeiro valor está nas conexões que podem nascer a partir dele”, afirma Natália Lazarini, fundadora da Philos. Para ajudar as empresas a dar esse passo, a Philos indica cinco ações práticas que transformam a empolgação do Mundial em pertencimento que permanece depois do apito final:

Crie “torcidas internas”, não apenas bolões.

O bolão acaba junto com a competição, mas as torcidas internas podem se transformar em comunidades permanentes de interesse. A empresa pode reunir colaboradores por temas como esporte, inovação, bem-estar, sustentabilidade, parentalidade ou voluntariado. A Copa funciona apenas como o primeiro motivo para as pessoas se encontrarem; o objetivo é criar espaços onde os relacionamentos continuem existindo depois do evento.

Troque a competição por desafios colaborativos.

Em vez de premiar apenas quem acerta placares, as empresas podem criar desafios coletivos entre áreas como campanhas solidárias entre departamentos, desafios de compartilhamento de conhecimento, gincanas de integração e ações de inovação com equipes multidisciplinares. “O foco deixa de ser ganhar sozinho e passa a ser construir junto”, reforça Natália.

Aproveite o clima para identificar embaixadores da cultura.

Em toda empresa existem pessoas que naturalmente conectam as outras: são os organizadores dos bolões, os que estimulam conversas e movimentam os grupos. O megaevento esportivo é uma oportunidade para identificar esses influenciadores internos e transformá-los em embaixadores da cultura organizacional, já que costumam ser os principais ativadores de pertencimento dentro das organizações.

Crie rituais que sobrevivam ao campeonato.

Se o colaborador compareceu para assistir ao jogo, talvez também participe de um café com a liderança, de uma roda de conversa ou de um encontro de troca de experiências. O erro é encerrar os momentos de conexão junto com a Copa. “Companhias que fortalecem cultura criam rituais permanentes de convivência e o campeonato pode ser apenas o início dessa jornada”, explica Vitor Igdal, cofundador da Philos Community.

Transforme a torcida em propósito.

Toda torcida compartilha um objetivo comum, um sentimento de pertencimento e uma identidade coletiva — os mesmos elementos das culturas organizacionais fortes. Por isso, a Copa pode ser usada para promover conversas sobre propósito, valores, colaboração e impacto coletivo. Quando as pessoas entendem por que trabalham juntas, o engajamento deixa de depender de eventos pontuais.

Para Vitor Igdal, o principal erro das organizações é acreditar que o engajamento nasce de eventos isolados. “Comunidades só geram impacto quando há intenção clara da liderança, governança e líderes que participam e legitimam esses espaços. Sem isso, viram apenas grupos informais, sem força para sustentar mudanças reais”, explica.

As comunidades organizacionais são a forma mais concreta de transformar cultura em comportamento. Segundo ele, missão, visão e valores podem estar escritos na parede. Mas é dentro das comunidades que a cultura ganha vida. “É onde as pessoas compartilham experiências, constroem confiança e criam relações que fortalecem o sentimento de pertencimento.”

Copa, NR-1 e saúde organizacional

O tema também ganha relevância diante da atualização da NR-1, que amplia a atenção das empresas aos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. Para Natália, comunidades internas estruturadas podem atuar como uma camada importante de proteção organizacional. 

“Comunidades internas bem estruturadas funcionam como sistemas vivos de apoio, pois reduzem o isolamento, fortalecem redes de confiança e sustentam o senso de pertencimento no dia a dia. Isso deixou de ser um diferencial para se tornar parte da saúde organizacional”, afirma a especialista, que conclui dizendo que o verdadeiro potencial da Copa não está nos jogos, mas na capacidade de transformar conexão momentânea em cultura duradoura. É nesse ponto que se separam as empresas que apenas aproveitam o clima das que constroem algo duradouro.

“A esperança pelo tão esperado Hexa oferece um raro momento de adesão espontânea e o diferencial competitivo não está em quem faz a festa mais animada, mas em quem consegue elevar essa energia em cultura que permanece quando o telão é desligado”, conclui a cofundadora da Philos.

Sobre a Philos

A Philos é uma consultoria especializada em cultura organizacional, gestão e marketing de comunidades. Atua ajudando empresas a fortalecer pertencimento, engajamento, retenção de talentos e saúde organizacional por meio da construção estratégica de comunidades internas e externas que conectam pessoas, propósito e resultados de negócio. Foi fundada por Natália Lazarini e Vitor Igdal. philos.cc



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